11.05.2009

ELSINORE EM PLANTA BAIXA

Uma praça. Uma tenda cheia. 14m x 14m. Um labirinto erguido do chão. 8 atores. 1 diretor. Muitos motivos para se encontrar em Hamlet. Mais motivos para se perder.





















fotos e arte gráfica :: patrícia cividanes
(clique nas imagens para ampliar)
SATYRIANAS 2009 . OUTUBRO
COMEMORAÇÃO DE 1 ANO DE COMPLEXO SISTEMA. SAUDADES DE PATRICK GRANT
ESTREIA EM 2010

11.03.2009

EM BREVE


FOTOS DE SATYRIANAS LADO B

10.29.2009

ANTRO EXPOSTO COM TENDA PRÓPRIA NO SATYRIANAS 2009


A convite da organização, Antro Exposto participará de forma diferente este ano do Satyrianas. Além de agitar e produzir o Satyrianas Lado B, ocuparemos (sim! O termo é este: ocupar!) a TENDA RESIDÊNCIA – novidade da edição 2009. Sob curadoria do diretor RUY FILHO, e com convidados muito especiais: Lígia Tourinho, Tiago Melo e Johnnas Oliva!

ELSINORE EM PLANTA BAIXA.
Não é um espetáculo. Não é uma instalação. Apenas é.
Só estando presente...
Noite da sexta-feira, 30 de outubro. Praça Roosevelt.
Todos estão convidadíssimos!

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SATYRIANAS LADO B!!!


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10.26.2009

VEM AÍ O SEGUNDO :: ENCONTROS PERFORMANCE

No último dia 21, o Centro Cultural Rio Verde tornou-se abrigo para as mais diversas caras da performance. Primeiro ENCONTROS PERFORMANCE. Vídeo, corpo, som, palavra, cores. Um pouco de cada, em uma deliciosa mistura, avançando por todos os espaços do CCRV e madraguda a dentro. Neste primeiro Encontros Performance, a presença e participação de Otávio Donasci, e muitos amigos nas frestas disponíveis. Casa lotada. É se preparar e chegar chedo para o próximo. A data já está marcada: 18 de novembro. A lista de artistas é incrível. Sintam-se todos convidados...

guga stroeter e kiki vassimon
performance de Marília Bombom





performance de tiago judas
performance de edu bijari
kiki vassimon e ruy filho
helena katz, ruy filho, larcio benedetti, gui gorski e diego torraca
performer convidado
otavio donasci, seus casulos e antro exposto







fotografia e design gráfico:: patrícia cividanes

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10.12.2009

PRIMEIRO ENCONTROS PERFORMANCE NO CENTRO CULTURAL RIO VERDE!

APAREÇAM!

(clique na imagem para ampliar!)

10.08.2009

Satyrianas e Satyrianas LADO B

na revista RSVP, da CARAS!

Mais detalhes em breve,

muito breve! Aguardem!


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10.07.2009

ILUSTRANDO O FESTIVAL DE CURITIBA


Uma surpresa ao abrir hoje a página do twitter do Festival de Curitiba: uma foto de COMPLEXO SISTEMA DE ENFRAQUECIMENTO DA SENSIBILIDADE, apresentado na Casa Vermelha, durante o festival deste ano. Uma honra!
Seria um sinal para a volta da peça em nova temporada? Ou a vontade de mais uma vez ver o Antro Exposto em terras paranaenses? ...

De qualquer forma, nosso muito obrigado!

9.29.2009

DIRETO DO BLOG DO IVAM CABRAL

26/09/2009

SATYROS LITERATURA

Nosso projeto literário segue feliz. Em parceria com o editor Hubert alquéres, da Imprensa Oficial, já acertamos o lançamento de 20 títulos: 10 no final de novembro, 10 em fevereiro.

O selo chama-se PRIMEIRAS OBRAS e lançaremos textos de pessoas incríveis. De Gerald Thomas a Contardo Calligaris; de Gabriela Mellão a Renata Pallottini. Tem também Sérgio Roveri, Otávio Martins, Lauro César Muniz, Roberto Alvim, Mário Viana, Lucianno Maza, Vera de Sá, Hugo Possolo, Bia Gonçalves, Ruy Filho, Noemi Marinho, Marta Góes...

São todos autores que um dia foram apresentads em um dos espaços dos Satyros. Não é realmente uma notícia incrível?


Escrito por Ivam Cabral às 09h58

É PARA SE ORGULHAR OU NÃO?


Pra quem ainda não conhece o trabalho da nossa designer gráfica (um luxo isso!), cá está o link para o seu portfolio.

http://patriciacividanes.carbonmade.com/

Dona das artes de todo nosso material gráfico e da maioria das nossas fotografias...

E como "hobbie", passa ao menos 10 horas do seu dia na revista RSVP, publicação especial da Caras-Abril sobre cultura e diversidades da cidade de São Paulo.

ENGATILHADA!

Ruy Filho dirige o mais novo texto de Paulinho Faria: "O HOMEM COM A BALA NA MÃO"
Pré-estreia, logo mais, no Satyrianas, em São Paulo.
Fotos do ensaio e informações no blog Antro Particular.

9.20.2009

Guilherme Gosrki, Ruy Filho e a querida Leona Cavalli no lançamento de seu livro, CAMINHO DAS PEDRA. Muita para aprender...

9.11.2009

MATÉRIA ESPECIAL NO GUIA DA SEMANA

Uma matéria super especial sobre a Cia. de Teatro Antro Exposto, com direito a polêmicas e revelações.

Muitas novidades estão por vir... no momento, apenas bons segredos!

foto: patrícia cividanes



Experimentando teatro

Direto do cenário alternativo de São Paulo, o Grupo Antro Exposto conversa com o Guia da Semana sobre como é viver de arte experimental no Brasil, critica leis de incentivo e peças stand-up

Por Marcus Oliveira e Maria de Luna

Por trás de espetáculos realizados em grandes cidades como São Paulo (que possui em média mil peças por ano) existe um outro cenário não muito conhecido pelas grandes plateias. Ao contrário das mega-produções, muitos grupos batalham cotidianamente para se manter vivos e divulgar sua arte ao grande (ou nem tanto assim) público. Por meio de parcerias ou até favores, diversas trupes teatrais são formadas com nomes desconhecidos. Com o espírito de fazer do simples fato de ir ao teatro um evento único para o espectador surgiu o grupo Antro Exposto.
Com rostos bonitos e cercados de muito trabalho, a companhia iniciou suas atividades em dezembro de 2007, por uma realização do diretor Ruy Filho. Formada por Diego Torraca, Guilherme Gorski, Giuliana Rocha, Tiago Torraca, Gabriela Rosas, Raiani Teichmann, Priscila Nicolielo e Patrícia Cividanes, dirigidos pelo idealizador, o grupo traz no currículo peças como Entulho, Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensiblidade e ensaia para o próximo projeto EmVão, previsto para 2010.
Em um bate papo descontraído, o grupo revelou os bastidores de como é fazer Teatro Experimental no Brasil. Confira!

História do grupo
A companhia nasceu da vontade de experimentar teatro e pesquisar novas linguagens. O nome antro exposto é uma referencia ao nome do blog do diretor ruy filho, o antro particular, canal que gerou a intenção de experimentar novas ideias em vários formatos, contrastando pontos de diversas opiniões e submeter todos à experiência. Segundo o diretor Ruy Filho, as empresas patrocinadoras não entendem que o experimental pode se tornar o comum de amanhã. "Temos um público muito reduzido e as empresas não bancam, já que as peças têm uma visibilidade limitada. Leva tempo e esse período sem sustentação financeira é impossível de ser realizado. Ou seja, você precisa do dinheiro rápido para virar grande, mas se você se tornar grande muito rápido você deixa de ser considerado experimental, assim é difícil", pontua o idealizador.

Polêmicas
Viver de arte experimetal não é tarefa nada fácil para a trupe. "A gente se vira. Vivemos de parcerias, vamos nos adequando ao que temos em mãos. Cada um tem uma vida paralela ao grupo. Mesmo dando a maior importância a companhia", afirma o ator Diego Torraca. Dividindo espaço com espetáculo de stand-up comedy, na visão do diretor Ruy, a liberdade é algo benéfico na hora de fazer esse tipo de arte. "Stand up no Brasil parece cabide de emprego para ator que não conseguiu ter um grupo de teatro. Não tem nada e vai fazer carreira solo com 20 anos de idade, com piadas tiradas da Internet. Já que nos sustentamos fora daqui, não ficamos aprisionados a nada e ninguém e dessa forma podemos experimentar", atira R. Filho.

Perfil
Com rostos jovens e espírito de quem sabe o que faz, os atores não abandonam a possibilidade de enveredar por caminhos ainda não percorridos, porém, não cogitam a possibilidade de abandonar suas raízes. "Não discordo de uma pessoa que vá lá e faça Malhação e depois, no fim de semana, venha e faça o teatro dela. Eu faria novela, cinema e o teatro experimental, que é uma coisa que eu gosto. É tudo trabalho. Se você levar suas ideias e trabalhar dentro desses sistemas da forma que você acha correto, é válido", opina Raianni Teichmann.Já na visão de Guilherme, a cultura do ator é muito banalizada e muita gente que entra no meio quer fazer parte da filosofia de celebridade. "Todos já conviveram com pessoas assim. E são pessoas que não vão sobreviver. Se ela realmente quer isso, vai se aprofundar e conseguir chegar onde quer. Mesmo um grande ator pode trabalhar apenas na TV", afirma.

Pé na estrada
Entre altos e baixos, a companhia estreou seu primeiro espetáculo Entulhos em 2008. A peça causou curiosidade com a solo performance de Guilherme Gorski e contou com as vozes de Débora Falabella, Pancho Capeletti e Alberto Guzik. Ao contrário do imaginado, mesmo após estampar as telinhas na novela Duas Caras, o sucesso do personagem de Guilherme na dramaturgia não refletiu na plateia do teatro, mas sim em um outro tipo de público. "É legal isso das pessoas virem assistir à peça, não o cara da novela. A repercussão não trouxe o mesmo público para a peça. Era um espetáculo alternativo, performático, experimental e que não é muito comum de se ver no teatro de São Paulo", afirma o protagonista. Com a repercussão, o grupo pegou carona em Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensiblidade, que contou com a participação do músico Patrick Grant (compositor e diretor musical do grupo The Living Theatre). "Combinamos dele não ver a peça e eu não ver a musica até ele chegar aqui. E foi muito bom. Pensamos que ele ia até se sobressair a imagem do grupo, mas foi totalmente o oposto. Foi o primeiro trabalho dele com trilha no Brasil. Ele estudou português para chegar aqui e saber trabalhar bem com a gente. Ficou tudo pronto uma semana antes da estreia, masdeu muito certo", confessa o diretor Ruy Filho. O espetáculo rendeu temporada em São Paulo, participações no Festival de Curitiba e no Festlip (Festival de Teatro da Língua Portuguesa, Rio de Janeiro).

Futuro
Para o próximo ano, o grupo pretende contar com novos trabalhos e envolver ainda mais pessoas na arte de fazer teatro experimental. Pra isso, ensaiam seu primeiro trabalho realizado em processo colaborativo, a peça EmVão. "Somos livres para criar as cenas e fazer do modo que achamos melhor. Estamos em processo de criação, jogando cenas e ideias que passam pelas nossas cabeças. Cada um traz algo escrito e realmente é feito de forma coletiva. Temos um apontamento, mas não sabemos onde vai acabar", adianta Diego Torraca.O grande diferencial desse trabalho, além do texto feito de forma coletiva, é a preparação, segundo o diretor. "Estamos trabalhando muito mais voz e corpo para essa peça. No Complexo não tínhamos esse tipo de trabalho com a voz, já agora estamos tendo essa preocupação. Estamos crescendo muito e cada dia mais, até descobrirmos o tipo de teatro que queremos fazer", ressalta Ruy. Ainda nos projetos futuros, o grupo pretende para 2010 estrear os espetáculos Re-in-gresso e Exilados. Além disso, não abandonam projetos paralelos como: o Antro Invadido, que trará artistas convidados a trabalhar por um dia com a companhia em ensaios abertos ao público, o Antro Literário que são leituras de peças, crônicas, contos e poemas e o conversa no Antro, um programa de rádio sobre política e cultura contemporâneas com convidados, realizado no Centro Cultural Rio Verde (Vila Madalena São Paulo), local onde ensaiam.Lei Rouanet e Vale CulturaCriadas para beneficiar toda e qualquer forma de fazer arte, os benefícios são subsidiados pelo Governo e ao contrário do que pareça, são mecanismos de duas vias. "Acho que a Lei Rouanet não funciona e deve ser reestruturada. A maneira como o Governo está distribuindo e o fato de decidir o percentual de desconto no imposto de renda das empresas vai manipular insatisfatoriamente de alguma forma. Preocupa a forma como será manipulada essa distribuição", destila o diretor.Já o benefício do Vale Cultura, aprovado recentemente pelo Governo, é benéfico na visão dele. Segundo Ruy, mesmo não sendo uma grande quantia (R$ 50,00 ao mês), já possibilita que uma pessoa que não se interessava em arte, passe a ver com outros olhos. "Já que está lá, a pessoa uma hora ou outra vai gastar. Que seja com um livro, filme ou qualquer coisa ligada à arte. Às vezes o cara economiza seis meses para ir com a família ver a peça da Marilia Pêra e esse é o sonho de vida dele, isso sim é política cultural", acredita.


FÓRUM
Você acha que o teatro experimental pode chegar ao grande público no Brasil?


Renata - SP11/09/2009
O teatro sempre esteve na mira dos moralistas. Que bom que é possível acabar com isso fazendo uso da arte experimental.


Ana Cláudia Tabalipa - Sampa11/09/2009
Gorski, te assisti em Entulho. Fantástico, grandioso. Muito mais que a Rede Globo pode te dar na noveleca do Juvenal Antena. Parabéns pelo trabalho. Estarei na platéia para ver Em Vão.

Wagner Siqueira - BH11/09/2009
Teatro no Brasil é luxo, as pessoas só admiram as superproduções, os grandes musicais. É lamentável!

Beatriz - Never Land11/09/2009
Eu gosto de teatro alternativo, mas nem todo enredo merece destaque. Assisti Complexo Sistema e gostei bastante, mas acho que para um leigo, a peça ainda é um mistério.

Marcelo Castro - Rio de Janeiro11/09/2009
Tudo depende do governo investir numa mídia decente para divulgar esses bons trabalhos. Se a gente esperar o boca a boca, vai demorar demais.

ana moura - são paulo11/09/2009
só se um milagre acontecer. Brasileiro tem tendência a ver no teatro só o que é popular, tem celebridade ou comédiazinha barata.


9.08.2009

Construção de EMVÃO, novo espetáculo da Cia. de Teatro Antro Exposto


















fotos: patrícia cividanes

8.07.2009

DIEGO TORRACA: NAS TELINHAS, TELONAS, PALCOS, OUTDOORS E.... NO SEU MP3!

Nosso ator está quase onipresente!

Você pode ler seus textos no blog

Escutar suas composições no myspace
(com direito a vozes como
Marina de La Riva e Vanessa Bumagny!)
Se deparar com sua foto em um outdoor no meio da estrada.


Vê-lo invadir a sua casa nas publicidades do Metrô de SP

E no comercial da Vivo .
(aquela do balão!! Foi um feedback histórico
para a marca! Veja também o Making of!)
Ainda tem seus curtas-metragens:
CAFÉ COM LEITE, premiado com urso de prata no Festival de Berlim.

http://curtacafecomleite.blogspot.com/


E agora a estréia de MAIS UMA NOITE, que aconteceu
ontem no HSBC Belas Artes.
Bombadíssima!!

Se não bastasse, palcos o recebem em
e em breve, EMVÃO.

Esquecemos alguma coisa?

8.05.2009

ANTRO EXPOSTO VERSÃO POP!

clique na imagem para ampliar

7.30.2009

NOSSO KIKITO EM GRAMADO

Esta é Gabriela Rosas.
Dona de uma risada deliciosa,
um talento incrível e um
Kikito de melhor atriz!
Assista o seu premiado curta
"Noite de Sol" com Cecil Thiré
e "Identidade", institucional dirigido
por Fernando Meirelles.
Quer mais? Gabi ainda apresenta
programas na TV Globo de
São José dos Campos, a Vanguarda.
Enjoy!

7.28.2009

HOJE É DIA DE AMOR!

Feliz Aniversário, Amor!!
Saudades de todos. Salve Angola!

7.27.2009

"CURRICULUM VITAE" POR RAIANNI TEICHMANN...


Veja as habilidades que motivaram a
"contratação" desta grande atriz...

http://www.youtube.com/watch?v=znziS1JQ7gE

7.20.2009

PARTICIPAÇÕES MAIS QUE ESPECIAIS

Após uma deliciosa participação no FESTLIP/Rio de Janeiro*,
ANTRO EXPOSTO volta ao trabalha a todo vapor.
E para dar mais brilho ao próximo espetáculo,
nos próximos dias teremos o prazer de trabalhar
com a carioquíssima Lígia Tourinho.
Lígia é doutora em artes pela Unicamp,
professora da UFRJ e dona de um sotaque inconfundível!!!
Vamos tocar fogo!!!!!

(Obrigado Lígia!)

* Clique aqui e leia texto de RUY FILHO

7.07.2009

NOTÍCIAS DO RIO...

A estréia de COMPLEXO SISTEMA em terras cariocas não poderia ser melhor.
Casa cheia, elásticos que se confundem com as lâmpadas frias, conversas sem fim e trocas infindáveis!
(sim, aqui vale se repetir!)


E enquanto seguimos curtindo Copacabana, o Festlip e as novas amizades (conhecemos pessoas maravilhosas! Conhecemos a Amor!!), segue um pouco do registro do espetáculo de sexta, sob o olhar precioso de Rodrigo Gorosito!
(obrigado, Rodrigo! Suas imagens são um presente!)

Sábado tem mais! Sesc Copacabana, Mezanino, 21h30!

E para os desavisados, hoje tem mesa redonda com a participação de Ruy Filho (com direito e entrevista ao canal GNT! Ui!) e quinta e sexta tem seu workshop na CAL!!



(clique nas imagens para ampliar)



CRESCE O ANTRO EXPOSTO

A Cia. de Teatro Antro Exposto agrega duas novas figuras, dessas especiais e únicas: Lárcio Benedetti e Alessandra Trindade. Estudiosos de política cultural com ampla atuação no mercado e no desenvolvimento de políticas culturais, ambos passam a acompanhar a cia. como CONSULTORES DE PLANEJAMENTO.
Pensar no futuro passa a ser agora uma responsabilidade maior para todos nós.

6.29.2009

CSES SE APRESENTA NO RIO EM JULHO


6.26.2009

RUY FILHO >> WORKSHOP NA CAL - RJ


clique para ampliar a imagem

ANIVERSÁRIO DO NOSSO QUERIDO PATRICK GRANT!!


Happy Birthday, Patrick!!
We love you!!
See you soon...

6.21.2009

GUILHERME GORSKI SUBSTITUI
KIEFER SUTHERLAND
Nosso ator-olhos-azuis estrela comercial da Citroën...

video

6.19.2009

RAINNI TEICHMANN DIVIDE A CAPA
DO TERRA COM A RAINHA DA INGLATERRA

Selecionado pelo site TERRA,
vídeos da nossa querida atriz kinder ovo,
da hilária série CONVERSAS DE ELEVADOR.

DIVIRTAM-SE!

6.10.2009

REPRESENTANDO O BRASIL

Entre os dias 02 e 12 de julho, estaremos no Rio de Janeiro
2009 será a segunda edição do evento.
Entre os países convidados estão Portugal, Cabo Verde,
Moçambique, Angola, Guiné-Bissau e Brasil.
Cada um terá dois repreentantes.
Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade
foi um dos selecionados para representar o Brasil.
É possível estar mais animado?

6.07.2009

NASCE...

O último ano tem se revelado fundamental quando olho para frente. Planos, sonhos, decisões... Foi sentado na entrada de uma coxia que Gerald Thomas me disse: “acho que está na hora de você ir e acreditar mais em você!”. Estávamos no meio de 2007. Remoendo diariamente a cobrança de que eu, de alguma maneira, fugia de qualquer confronto com meus pensamentos e arte, decidi seguir mais uma vez os conselhos desse qual chamo sem pudor algum por pai. Porque fora Gerald quem me mostrara todos os princípios que me tornaram um artista inquieto e desagradável. Porque fora ele quem me ensinara a triste opção de valer-me da própria vida transpondo-a ao simbolismo do inconformismo. É cedo, com certeza, para falar em ‘minha arte’. Mas cedo, sempre será. Então me arrisco. E volto ao centro do desafio de me mostrar quem sou. Se o que trago ao público hoje é fato, então é porque Gerald soube me conduzir ao mais tenebroso e viciante aspecto da vida: a alma humana. Que seja assim, então.
Eis que surge hoje, para todos, a Cia. de Teatro Antro Exposto.Ainda é preciso, todavia, assumir outro responsável. No ano que passara, e assim tem sido cada vez mais, Zé Celso, aquele que me levara, aos 20 anos, desistir da medicina para ingressar ao teatro, tem oferecido seus mais gentis abraços. E no respeito construído, nos encontros casuais, nas conversas sigilosas entre olhares, igualmente me confronta ao espelho como se dissesse: “Já não é hora...?”. Disse-lhe dias atrás: “Eu te entendi. Você não tem a sabedoria de quem viveu, mas de quem está vivo!”. No pulso heróico, erótico, da compulsão pela vida, Zé Celso me mostrara outra vez o caminho. Minha vida não são coleções de discursos retóricos e idéias desarranjadas ao tempo. Ao contrário. Justifico-me na relação do conjunto, na absorção do outro, na transformação do todo, em busca da sobrevivência do que há de menor e mais precioso em mim: minha humanidade. Que seja assim, então.
E eis que surge, hoje, para todos, a Cia. de Teatro Antro Exposto.E ainda outros: Samir Yazbek, Silvana Garcia, Alberto Guzik, Heloísa Sales, Ivam Cabral, Ana Helena Curti, Fernanda Borges, Kiki Vassimon, Guga Stroeter, Celso Cury, Thaís Ruiz, Pascoal da Conceição, Leona Cavalli, Celso Frateschi, Helena Katz, Christine Greiner, Dora Longo Bahia, Nelson Leiner, Aimar Labaki, Eugênio Bucci, António Araújo, François Tanguy, Patrick Grant, Matthew Barney, Verônica Cordeiro, Carlos Augusto Calil, Diva Pavesi, Eduardo Semerjian, Edson Zampronha, Fabiana Gugli, Pancho Cappeletti, Cibele Forjaz, Lúcio Agra, Renato Cohen, Luís Damasceno, Agnaldo Farias, Clóvis Garcia, Dalva Abrantes, Sérgio Coelho, Suely Rolnik, Camila Morgado, Tânia Torraca, Gleico, Juliano Antunes, Walter Garcia, Jorge Carvajal, Célia Ramos, Amadeo Lamounier, Cássio Pires, Domingos Varela, Geondes, Natália Lorda, Thaís Almeida Prado, Pedro Brás, Carla Bastet, Sônia Lopes, Fernando Coimbra, Aline Fanju, Lígia Tourinho... Cada um, amigo, colega, chefe, professor, mestres às suas maneiras, construíram algo e destruíram outros tantos para que do caos chegasse eu ao meu ‘segundo nascimento’, como diria Zé Celso.

E também Priscila e Régis Dudena, por estarem desde sempre ao meu lado, acreditando num futuro pra eles tão óbvio e que para mim apenas agora chega à realidade.

Nada disso seria possível não fosse o amor incondicional e a presença completa de Patrícia.Nada seria possível não fossem Eduardo e Maria Helena loucos suficiente para aceitarem como genro um garoto, na época, de cabelos compridos, roupas pretas rasgadas, pés descalços, fumante e aspirante a artista.Nada disso seria possível não fosse a persistência de Diego Torraca, Guilherme Gorski, Priscila Nicolielo, Giuliana Rocha, Ana Carolina Godoy, Gabriela Rosas, Tiago Torraca e Raiani Teichman em me apoiar e conduzir por suas cobranças a efetivação da companhia.
E Gustavo Palma. Eterno companheiro. De cena, de discussões, de discordâncias, de confrontos, de cervejas, risadas, viagens e viagens transportadas em idéias para milhares de rascunhos em guardanapos. Nasce a Cia. de Teatro Antro Exposto!
Um medo horrível.Uma dor indescritível.A vontade de abraçar a cada um dos citados acima e agradecer por tudo ou nada ou pelo fato de existirem em minha vida em algum momento.Não é mais possível dormir.
A insônia agora passa a ser companheira...Junto a uma puta vontade idiota e romântica de querer mudar o mundo.
RUY FILHO

QUEM?

"O Ruy Filho é talentosíssimo.
Tão talentoso que concorda com tudo.
Concorda mesmo com as minhas discórdias.
Mas eu o desculpo porque seu talento é gigantesco."
GERALD THOMAS

"Diego Torraca, canto ato e letra.
cheio de boas histórias que pulam da cachola
e começam a virtuar a zona blogueira.
A marca do Zorro."
GERO CAMILO

"Guilherme Gorski: talentoso e bonitão, preferiu
o teatro de porão às luzes da televisão.
E querem saber? Tem toda a razão."

ALBERTO GUZIK

"Patrícia Cividanes contraria o ditame
das discretas deselegâncias e ainda assim ama SP... "

LUCIO AGRA

"Raianni é um kinder-ovo: doce por fora
e uma surpresa por dentro..."
OTÁVIO DONASCI


"Após sua exímia participação em CSES,
Tiago quebrou preconceitos provando que mesmo
fazendo parte dos discriminados rostinhos bonitos
ele ainda dará para um bom ator."
PAULINHO FARIA

ONDE?






CENTRO CULTURAL RIO VERDE
Casa que acolhe a Cia. de Teatro Antro Exposto desde seu início.
Sempre um café quente, um sorriso.
Lugar para chegar e ficar.
Nossa segunda casa.

ENTULHO

Dentre as transformações sofridas pelo Homem pós-Guerra estão a perda da identificação do coletivo simultânea a incontrolável capacidade de capitali­zar seja lá o que for.
Aprendemos a valorizar o lucro acima de tudo; abandonamos o desejo pela compra fácil e transitória do prazer, capitalizamos as emoções em respostas quantitativas aos interesses imediatos e superficiais do modismo; esquecemo-nos de imaterializar as relações e as conseqüências de nossas vontades.
Entulho trata ficcionalmente dessa nossa atual condição de consumidores com­pulsivos, materiais e emocionais, revelando um personagem dilacerado, aban­donado em seus próprios pertences, enquanto descobre ser igualmente produto da sociedade qual constrói. Na luta entre o deixar de ter e o querer ser, o espetá­culo traduz a dificuldade em nos reencontrarmos como símbolos poéticos.
A encenação propõe a anulação da voz do ator substituindo-a por gravações apresentadas durante o espetáculo em off.
É no embate do silêncio com a consciência transitória e ilusória das vozes que o personagem de ‘ Entulho ’ mergulhará em uma busca frenética por sua própria identidade.


RUY FILHO




PROGRAMA DESAMASSADO

ENTULHO por Fred Mesquita



ENTULHO por Patrícia Cividanes







SP.CIDADE ENTULHADA

DE INFORMAÇÕES
IMAGENS
RUÍDOS
E VAZIOS

Performance Urbana








ENTULHO por Veja SP - Dirceu Alves Jr.


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ENTULHO por Luiza Novaes - Será que As Sereias cantaram?

Esta época, que mostra a si própria o seu tempo como sendo essencialmente o regresso precipitado de múltiplas festividades, é igualmente uma época sem festa. O que era, no tempo cíclico, o momento da participação de uma comunidade no dispêndio luxuoso da vida, é impossível para a sociedade sem comunidade e sem luxo. Quando as suas pseudofestas vulgarizadas, paródias do diálogo e do dom excitam a um excedente de dispêndio econômico, elas não trazem senão a decepção sempre compensada pela promessa de uma nova decepção. O tempo da sobrevivência moderna deve, no espetáculo, gabar-se tanto mais alto quanto mais o seu valor de uso se reduziu. A realidade do tempo foi substituída pela publicidade do tempo.Guy Debord - Sociedade do EspetáculoUma das dúvidas mais existenciais do mundo pede uma resposta concreta: sim ou não. Corpo e Cabeça, Razão e Emoção.Em uma de suas aventuras Ulisses na Odisséia conta que ao navegar pelos Mares e passar próximo às Sereias todos os marinheiros prevenidos pelo capitão da Nau taparam os ouvidos com cera para não ouvir o canto, como estratégia tática, basicamente.Ora, o sagaz Ulisses, astuto e desejoso de ouvir o belo canto das sereias, decidiu amarrar-se ao mastro para não ter a atitude de se deixar levar pela beleza estética e sonora da brincadeira. E ele amarrado ao mastro ouviu o canto das sereias, mas como estava amarrado, não se permitiu ser tomado pelo impulso de ir, lugar onde nenhum outro havia voltado.Impasse, Kafka escreve um conto sobre as sereias e Ulisses, e a discussão baseia-se no silêncio, o mesmo impulso que provoca o canto pode provocar o silêncio.Qual a força criativa necessária para o canto da Sereia que não a necessidade de perder-se no mais doce e estético que o corpo pode provocar, porém se o humano não deseja perder-se nada melhor do que saborear a derrota, Ulisses foi condenado ao silêncio por não querer sentir, dessa forma, via a beleza, os cabelos esvoaçando de maneira horripilante, mas nada de som.A proximidade com o sentir, e a possibilidade ou não de saber o que fazer, o obrigou inclusive a questionar sua existência, compreenda, não há nada pior do que não querer sentir, astuto ele se aprisionar com cordas, porém surdo ele de não entender propósitos.O silêncio reinou.Pela primeira vez na vida não acredito que minha proposta de análise isentará sentimentos e inclusive de maneira visceral, até por que não acho que seja possível isentar-se de maneira absoluta nem ao menos ideal.Ódio à peça foi o primeiro necessário sentimento, o que estava eu lá fazendo, muitas vezes a cabeça se movia com intenção de fugir às repetições de movimentos, que a princípio me pareciam extremamente cansativos.Pensei em quanto assistia: o que faço aqui? Que tipo de proposta sobre a discussão da mercadoria poderia acrescentar algo que 200 séculos, de marxistas e românticos em geral não haveriam trabalhado, e todo mais tipo de preconceito básico de um bom acadêmico da ciência social.Porém quando dormimos nossos monstros retornam. Quando acordei foi um chute no estômago, a questão me perturbava sobre a impossibilidade real que temos de sentir. A falta de fala repetia para mim o vazio daquilo (coisa objeto) que havia deixado de ser coisa e havia se transformado em sentimento coisificado. Ultrapassava até mesmo a mesa que dançava de Marx, para tornarmos-nos pessoas incapazes de definitivamente sentir e ser qualquer coisa significativa (explique: com significado).Não consigo explicar o choro emocional, eu estava vazia sozinha e com dinheiro para pagar contas e viagens planejadas, e com documentos desorganizados, roupas entulhadas, livros empilhados e vazia, completamente sozinha.Daí surge para mim o significado de reificação, como pessoas coisificadas incapazes de sentir o próprio corpo, ou reagir a necessidades, e que não haja simplesmente com impulsos mecânicos como abrir a porta, ou lavar o rosto, em nome de seguir o mesmo tipo de rotina incansável e irreal. Afinal para que, por que fazemos tudo isso, em nome do que?Para que nossas sacolas? Aonde vamos? Para que também organizá-las, todo o sentido de causa e conseqüência torna-se o nada, o mesmo que sinto no momento em que as teclas tocam em meu dedo.Porque não é senão como categoria universal do ser social total que a mercadoria pode ser compreendida na sua essência autêntica. Não é senão neste contexto que a reificação surgida da relação mercantil adquire uma significação decisiva, tanto pela evolução objetiva da sociedade como pela atitude dos homens em relação a ela, para a submissão da sua consciência às formas nas quais esta reificação se exprime... Esta submissão acresce-se ainda do fato de quanto mais a racionalização e a mecanização do processo de trabalho aumentam, mais a atividade do trabalhador perde o seu caráter de atividade, para se tornar uma atitude contemplativa. Lukács - História e consciência de classePorém além do lixo humano, há o texto, primeira crítica, esse era um texto teatral? Perguntava-me quantas páginas ele possui etc.Não consigo retornar a uma sequer palavra significativa no texto, mas, a repetição dele ou das marcas de lojas citadas, determina na repetição da própria idéia de prazer e produção dele a incansável improbabilidade de sua existência.Estou cansada agora, percebo que superar obstáculos de dominação de nossa natureza não é fácil, pobre Ulisses, na tentativa de enganar Sereias se engana também. Nossa natureza ainda é animal, mesmo que...Não estou disposta a sacrificar-me de minhas pulsões como Ulisses. O fez em nome da Civilização. Ainda acredito que o esclarecimento é tão mágico quanto à ficção. Ainda pertenço à classe de pessoas que compreende o mundo pela janela da mitologia, e esta possível de não ser menor que a ciência ou o saber, mas somente outra janela. Não é nem causa nem conseqüência também como alguns a pensam, quase como uma linha evolutiva, mas apenas outra forma.Cego são aqueles que não ouvem o chamado dos guardiões, nossa porta ainda aguarda por batermos em seu casco. Silêncio.

ENTULHO por Fellipe Fernandes - Um Texto Precisa de Imagens

É fato.Mas quando as imagens precisam de texto?Ontem, ao assistir à performance ENTULHO, com Guilherme Gorski sob direção de Ruy Filho, a sensação que tive foi que as cenas plásticas sobre consumismo, fetichismo e o constante sufocamento que decorre da combinação de ambos pediam, antes mesmo de serem encenadas, as palavras de Mme. Nicolielo, dramaturga da performance e minha amiga.Cada palavra desde o início do ato fala por si, sem precisar de muitos devaneios. A descrição dos objetos, a localização deles, o que representam na vida daquele personagem genérico que se atordoa no monte de roupas, livros e revistas espalhados pelo chão da arena do Centro Cultural Rio Verde, em Pinheiros, levam consigo a marca de quem as escreveu.Quando, entretanto, chega-se ao excerto lido pela voz de Débora Falabella atinge-se a um belo que, não bastasse ser sozinho em sua beleza, exige do espectador a entrega das paixões fulminantes que mais se prendem na saudade e no que poderia ter sido do que na busca quase infindável daquilo que poderá vir a ser.É quase a mesma culpa que se sente quando se gasta dinheiro sem necessidade. Ou melhor, o mesmo flagelo que é comprar e acumular sem, no entanto, preencher os vazios.Cada vez que compramos coisas das quais prescindimos, cada vez que, diante do afogamento diário em informações desnecessárias, em equipamentos que, sob a premissa de facilitar a vida, nos prende ainda mais a uma linha invisível e muito frágil chamada insegurança, falta-nos o sopro das importâncias.Cada um sabe da sua.Mme. Nicolielo, em pouco mais de um par de páginas gravadas, traduziu isso em poesia numa prosa objetiva, despretensiosa e, sem uma única vez sequer ter citado claramente em letras aquilo sobre o que o texto falava, muito coerente.Gostei da iluminação, da cenografia e da utilização dos espaços. Muitas vezes durante os 70 minutos do espetáculo você se vê esquivando de livros voadores, camisetas indiscretas, gritos ultrajantes, ouvindo muito de perto o ator ofegante, provando um pouco do soterramento pelos entulhos do que hoje temos por vida.Determinados momento, senti que eu queria me por no lugar dele e, na construção de sua pirâmide de lixo, símbolo de um poder do desespero, opressor em sua veleidade, pegar os livros que ele não pegou, ver as fotos que ele não viu, dobrar as roupas que estão espalhadas pelo chão e limpar o futuro antes que seja tarde demais.Só que estamos a um passo desse momento.O que me incomodou um pouco - nada tão prejudicial quanto foi a encenação para Senhora dos Afogados, peça sobre a qual falei aqui noutro dia - foi o Gorski já ter começado a performance num ponto sem volta. A mim teria me incomodado muito mais se ele, como qualquer pessoa, tivesse entrado em cena do ponto em que nós mesmos, enquanto espectadores, estamos, sem muito dar pelo que nos rodeia.Isto é, fazer crescer o movimento paradoxal da minimalização.Quem se interessar em assistir, preste atenção em algumas imagens como a final e em algumas metáforas em relação ao cotidiano insensato em que muitos de nós vivemos.No entanto, vá sabendo: se ver é muito importante nesta dramaturgia, ouvir é imprescindível.Literatura.

ENTULHO pelo blog Pollyana Barbarella

Há alguns dias fui à estreia do espetáculo Entulho, com direção de Ruy Filho, em cartaz no novo e simpático Centro Cultural Rio Verde, na Vila Madalena. O texto de Priscila Nicolielo me tocou pela poesia com que mostra como o mundo de aparências e estímulo ao consumo exacerbado faz com que o indivíduo perca sua identidade. Me lembrou a fala de um dos personagens do filme Beleza Americana: "Para ter sucesso, é preciso projetar uma imagem de sucesso". Em meio a centenas de peças de roupas, sacolas de compras, livros, jornais e fotografias, Guilherme Gorski interpreta um personagem angustiado, que consome compulsivamente, principalmente coisas de marcas famosas. A narração em off, nas vozes de Débora Falabella, Alberto Guzik e Pancho Capeletti, estimula a reflexão sobre como perdemos a inocência da infância, abandonamos uma vida simples e passamos a seguir os padrões impostos pela sociedade. Muito bonito e poético mesmo. Tudo tem um preço. Quer ser aceito no mundo? Venda sua alma para Armani, Chanel e companhia.

Uma parada forçada




Braço quebrado

O som do impacto do corpo junto ao chão era mais seco do que nas apresentações passadas. Pensei, ele se machucou. A demora em ouvir os primeiros passos ainda no escuro. Até que vieram e a apresentação fora a melhor até agora. Guilherme esteve perfeito. "Deve estar tudo bem, então". Após a peça, ele me diz: "acho que quebrei o braço!". Dalí aos abraços aos amigos, e direto ao hospital.
Um susto enorme. Entulho se justifica por ele ser o intérprete. Único em cena.
Horas depois, a confirmação. Uma pequena fissura no braço direito. A imobilização e a recomendação médica: antiinflamatório e repouso para uma recuperação rápida.
A apresentação de 28 de agosto, portanto, está CANCELADA. Peço paciência a todos.
Entulho retornará na quinta de 04 de setembro, e neste dia com preços populares para juntarmos amigos e rirmos de tudo isso.
Obrigado a todos da MEDIAL pelo pronto atendimento e a atenção com que nos recebera.

FEITOS UM SÓ
Quarta-feira. Quando cheguei ao ensaio e vi Guilherme ainda com o braço imobilizado, um frio subiu pela espinha. Era preciso tomar uma decisão e esta tinha de ser imediata. As páginas do Uol e Terra divulgaram o retorno do espetáculo. Caracteres em programas televisos também.
E tudo se resumiu em uma rápida pergunta: “Diego, você faz a peça amanhã?”.
Um encontro. Mudanças em cima da hora no roteiro original. Uma noite de insônia.
Quinta-feira. O público nem imagina que será Diego o ator.
Nas últimas horas, dedicamo-nos (Eu, Diego e Guilherme)
não ao ensaio, mas à recriação. Outro início. Outros caminhos
narrativos. Diego insistia em se colocar em
risco, afi nal, Entulho é uma peça performática. E decidimos
que o dirigiria em cena. O público. Diego. Eu,
tremendo de ansiedade (literalmente) na luz e som,
visível a todos. A apresentação foi incrível. Diego foi
ao limite de suas forças. Guilherme emocionado à
homenagem feita em improviso. Lágrimas de quem
gostaria de estar no palco. Lágrimas de quem soube
ser grande e gentilmente conduzir um outro em
seu lugar. Segurei as minhas. Frutos da certeza de
possuir hoje um grupo impressionante de atores.
Desses que o futuro se vê brilhar nos olhos, na humildade
em ser cúmplice em qualquer situação.
Dois meninos, ainda. Guilherme Gorski e Diego Torraca.
Guardem esses nomes...
RUY FILHO

SATYRIANAS 2008



O teatro revisto por sátiros contemporâneos.

Concepção Ruy Filho e Cia. de Teatro Antro Exposto

Recuperar o princípio satírico é uma das possibilidades mais positivas que podemos trazer ao teatro. Rir do fazer, do estar em cena. E assim se renovar para irmos além.


01. PRÓLOGO OU A FALA DO CORIFEU
Com Gero Camilo

02. OS ATORES
Com Ivam Cabral

03. OS JURADOS
Com Alberto Guzik

04. AS MÁSCARAS
Com Gabriela Rosas

05. A KATARSE
Com Carolina Godoy

06. O CORO TRÁGICO
Com Vanessa Bumagny
cantado

07. O FIGURANTE
Com Felipe

08. A CULPA TRÁGICA
Com André Sant’anna

09. O FATOR HISTÓRICO
Com Guilherme Gorski

10. O BANQUETE DA CAÇA
Com Giuliana Rocha e Diego Torraca

11. A ORGIA DIONISÍACA
Com Gabriela Rosas e Tiago Torraca

12. O JOGO CÊNICO
Sem atores

13. DEUX EX-MACHINA
Com os fotógrafos presentes

14. O CONTEXTO DIVINO
Com Patrick Grant

15. O NARRADOR
Com Pedro Granato

16. A IRONIA CÔMICA
Com Pedro Granato como Berlam Belozo

17. A MORAL
Com Gustavo Sol

18. O EPÍLOGO
Com Alberto Guzik, André Sant’Anna, Carolina Godoy, Diego Torraca, Felipe, Gabriela Rosas, Giuliana Rocha, Guilherme Gorski, Gero Camilo, Gustavo Sol, Ivam Cabral, Paula Cohen, Patrick Grant, Pedro Granato, Raianni Teichmann, Tiago Torraca, Vanessa Bumagny.

19. O TEMPO
Com Pedro Granato e equipe de televisão

20. A REPRESENTAÇÃO OU A MENTIRA

COMPLEXO SISTEMA DE ENFRAQUECIEMNTO DA SENSIBILIDADE - SATYRIANAS 2007 - onde tudo começou...




Um texto de 20 minutos,
apresentado sob a tenda satírica da praça roosevelt...

Próximo passo...


Dezembro de 2007. Um telefonema de NY. Do outro lado da linha, Gerald dizia coisas aparentemente sem sentido, mas na verdade era eu que não conseguia mais ouvir. ‘Vocês precisam se conhecer...’, ‘Vocês têm que trabalhar juntos!’ Eu tentava entender, porém aquelas palavras soavam como um sonho estranho.‘Sim, Gerald, eu tenho uma peça. Quero montar no ano que vem a cena que apresentei no Satyrianas’. Na verdade, a peça era apenas uma cena de quinze minutos e muitas idéias soltas.De janeiro até agora muito foi construído, destruído, refeito, abandonado. E hoje, enfim, posso afirmar sem temor: eu tenho uma peça. Correção: nós temos. A Cia. de Teatro Antro Exposto estréia em novembro seu segundo trabalho: Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade.E quem era ele, o tal cara com quem eu deveria muito trabalhar, afinal? Apenas, e somente, o compositor Patrick Grant. E como apresentá-lo? Bom, Patrick tem realizado músicas originais para The Living Theatre e Robert Wilson, entre tantos outros artistas.Pois é. A nova montagem da cia. terá a participação de Patrick como compositor, com uma pesquisa sobre Edgar Morin e Gilles Deleuze. E não só isso. Muito mais vem por aí. Como escrevi antes, cada informação tem o seu tempo. Mas as boas notícias não acabam agora.Nesse instante, quero me embriagar com os ensaios e com a música de Patrick. E convidar a todos que participem dessa maravilhosa loucura chamada Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade.A Cia. de Teatro Antro Exposto não cabe em si. Felicidade é pouco...

RUY FILHO

ESTREIA COMPLEXO SISTEMA DE ENFRAQUECIMENTO DA SENSIBILIDADE


TEMPORADA 2008 - RIO VERDE - por Patrícia Cividanes















COMPLEXO SISTEMA por VEJA SP - Dirceu Alves Jr.




Tratado da consciência do possível... por Luíza Novaes

Protótipo da epopéia de retificação da estrutura do papel... Do Aluno, sem luz...Crítica da peça Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade.Comecemos assim: Primeiro tópico, o trabalho da sociedade humana frente às novas gerações e todo embate provocado. Acreditamos que os mestres de nossa vida, são aqueles que nos ensinam o que sabem, será... O conhecimento só pode ser construído na diferença, cada ser um mundo novo, acredito. A nova geração vem para matar o velho, sem exceção, quando isso não ocorre devemos nos preocupar, afinal ninguém quer torna-se salsicha prensada...Lembro-me de uma palestra do Abumjamra, comentando a incapacidade que a nova geração tem frente ao passado geracional. Estudo de caso: sempre lembrado de forma idílica da década de 70, onde valores e morais estavam sendo debatidos, para se construir o novo, e nós os jovens da arte, com nossa incapacidade de construir o pós (qualquer coisa). Ás vezes me questiono se realmente não sou bem mais moralista e tradicional do que meus pais e me reconheço assim na permanência de valores repetidos anteriormente pelos meus avós...Porém em consonância com a peça Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade reconheço a incapacidade do torturador em tocar o instrumento que era utilizado como símbolo de fragilidade e sentimento do novo. Para fazer arte é necessário estar impregnado de alguma forma do espírito da época, ao menos se a intenção real seja a de reprodução pura e simplesmente.No estranhamento que construímos o eu, bem como o outro. Valores diferentes na relação social, indivíduo se constrói frente ao outro. Conceito básico importado da Antropologia, a natureza humana como fim em si já era pressuposto metodológico para Marx, de construção do que a sociedade poderia fazer com os seus em estágio de evolução, tanto material quanto cultural.O verdadeiro protocolo da reificação de um mundo no qual somente as coisas agem, onde o tempo humano desapareceu e onde o próprio homem tornou-se um simples espectador reduzido ao estado mais abstrato: um olho que registra. (Lucien Goldmann, Recherches dialectiques).O herói descontrolado, problemático, romanesco tem como prerrogativa uma palavra que tomo emprestada do vocabulário americano, uma definição primordial para discutir esse tipo ideal, o FUCKED UP... Aquele que é incapaz de fugir da sua fortuna pela contradição que se estabelece no cerne de sua existência determinado pelo valor de uso e pelo valor de troca, o herói não se conforma com a sociedade tal como ela é dada e não aceita o valor de troca. Um inadaptado que caminha pelo mundo como dinossauro cujos sentimentos excedem a capacidade de compreensão das pessoas rotineiras e grita o Ai de mim... Da alma.Dessa forma, pensa e age pelo simples prazer de acreditar em um valor primário que aparece hoje em dia dissolvido em um monte de palavras que perderam sua função real. Seu valor de uso é do sentimento, de solidariedade entre pessoas, do afeto, do carinho, do tempo da disponibilidade do amor, por conseqüência a dor nasce da incapacidade de agir de acordo com qualquer outro uso social de suas ações que não perpassem esse tipo de Moral.Nunca mais... (Edgar Allan Poe - O corvo)O idílico volta mais uma vez se, pensarmos que há uma vontade de reminiscência de uma solidariedade mecânica que está impregnada de passado de uma busca incondicional ao fracasso, e que a sociedade moderna tende a crer que dessa forma há uma dissolução no outro que é inevitável, uma solidariedade orgânica de Durkheim que contamina e dissolve o novo adaptando-o a crua realidade do sistema quase orgânico no sentido do corpo humano.A morte é dos nossos, sem enterro, não há espaço para Antígonas, abandonamos Ulisses e suas peripécias. Em sua viagem, Ulisses volta ao passado, à era de ouro, à história da Grécia... A distância torna-se radical e construímos seres impossibilitados de agir frente essa força social bruta, como os heróis kafkianos que acordam insetos, ou a espera eterna por um personagem que não chega Godot, ou o Ulisses de Joyce que faz a barba e pensa no que irá realizar no seu dia, tempo moderno pautado no acordar e dormir.Morrer, dormir não mais, morrer, dormir, talvez sonhar... (Shakespeare - Hamlet)A dúvida mortal de toda essa jornada é imaginar se o herói moderno é o torturado ou o torturador, até que ponto eles se assemelham ou se afastam e se o anseio é à volta ou a ida...Agora, a certeza é que eles definitivamente estouraram o balão. Não há mais volta, as coisas estão organizadas, o cenário está colocado, e as cadeiras continuam enferrujadas e são ainda assim, poucos que podem sentar-se nelas.Mother do you think they will drop the bomb... (Pink Floyd, The Wall)Garanto que ao assistir a peça não me restava dúvida de que deixaria escapar as referências possíveis mesmo dentro do meu espectro de mundo. A minha retificação também estava em questionamento.O romance já foi tratado de tantas formas por tantos autores, e penso que ele acaba de ser introduzido ao teatro, pela CIA Antro Exposto. Benjamin fala da morte do narrador, outros da História compartilhada, ainda assim fico com Bakhtin...O romance é o único gênero não acabado, em devir, que desconhece qualquer cânon. Ele formou-se em oposição à epopéia, no "processo de destruição da distância épica, no processo de familiarização cômica do mundo e do homem, no abaixamento do objeto da representação artística ao nível de uma realidade atual, inacabada e fluida". (Mikhail Bakhtin, Questões de literatura e estética).

COMPLEXO SISTEMA por Paulinho Faria

Sobrevivo deste troço que conhecemos por teatro e sei o quanto é foda. A vida ensinou que se não quer ajudar, então não atrapalha. Ou seja não meto o pau publicamente no trampo dos outros. Até por que, quem sou eu? Produzir no nosso país é uma merda. Não temos apoio e nem incentivo nenhum e se não nos ajudarmos... fodeu. Então se não gosto fico calado. Agora se gosto faço questão de escrever sobre, divulgar, comentar etc. Queridos leitores deste blog, encaro a escrita, mais como um exercício para o meu ralentado cérebro do que qualquer outra coisa. Não tenho pretensão nenhuma com isso a não ser dialogar comigo mesmo e na medida do possível divulgar boas coisas aqui. Enquanto digito... rio, choro, xingo, agradeço, falo alto, tudo isto sozinho. Não entendo bulhufas de nada, mas mesmo assim me arrisco entre as linhas deste texto.Talvez neste momento enquanto as informações ainda digerem na minha cabeça, esta palavra (complexo) seja a melhor, por enquanto, pra definir o novo espetáculo da cia. Antro Exposto, dirigida e coordenada por Ruy Filho. Sei muito pouco sobre ele, ou quase nada, dane-se, porque o que cara anda aprontando com a cia é o que interessa. O trabalho por si só diz pra que e por que ele veio. Confesso que peças com características semelhantes não são as que mais me agradam. Geralmente me soam como pretensiosas. Em poucas palavras tento me explicar: Tenho a impressão que a maioria das cias. ficam sempre preocupadas em querer inovar e chocar de alguma forma. E cada vez mais, talvez pela urgência, começam nos apresentar trabalhos esteticamente belos, porém sem pé e nem cabeça, ou seja, apenas estéticos e que nada dizem, sem nenhuma base e profundidade. Não que eu ache que tudo deva ser profundo, talvez seja só uma questão de ponto de vista. Mas acabam pecando por uns amontoados de informações que me suscitam após, vontade apenas de ir pra um lugar qualquer e esvaziar a cabeça. Não me instigam a pensar. Na peça que assisti, o processo é inverso. A primeira preocupação (nítida) estava em dizer algo e é a partir daí que as coisas começam se encaixar. Não se vê nada sobrando. A única vontade que tive e tenho até agora é a de ficar pensando sobre, e pensando também quando conseguirei voltar pra re-assistir e tentar absolver mais alguma coisa. Quem sabe assim paro de ficar me revirando na cama durante madrugadas. A grande ousadia da peça está na profundidade que sem vacilo nenhum atingiram. Ai sim vejo inovação e linguagem própria. O grupo consegue deixar sua impressão digital. Minha alegria foi tanta ao sair daquele teatro que precisei sair correndo de lá praticamente. Num outro momento explico porque. Fiquei fascinado com o trabalho do Ruy. Foi de uma coragem, precisão e sabedoria muito peculiar. Coragem primeiro por ter conseguido e ocupado um espaço desconhecido, junto com um monte de malucos que acreditaram na proposta e que agora estão lá fazendo acontecer. Se apresentam numa sala com pouca infra-estrutura para a realização de qualquer tipo de evento, mas souberam aproveitar e transformá-la criativamente a seus favores. Precisão, porque diante de tão complexa obra, por milímetros não escorregou e caiu na mesmice da maioria dos grupos. Só mesmo sob a regência de um grande maestro isto é possível. Sabedoria peculiar, "a frase anterior justifica" e também por levar adiante a idéia e conduzir com habilidade e muita qualidade todos aqueles atores que estavam simplesmente magníficos em cena. Estou até hoje com tudo aquilo na cabeça, tentando digerir cada coisa, mas confesso que é foda e não é toa que tem o nome que tem. COMPLEXO SISTEMA DE ENFRAQUECIMENTO DA SENSIBILIDADE. Torço para que a nova cia. ganhe definitivamente seu espaço no cenário teatral paulistano que vêm garimpando há algum tempo, sem pretensão e arrogância nenhuma. Tudo fruto de muito suor e trabalho. A não ser que a nossa ignorante mídia mais uma vez deixe passar batido tão precioso trabalho, como tem feito com muitas outras grandes obras perdidas pela imensa cidade de São Paulo. O que é muito comum. Se tem uma palavra que não gosto, (sempre quis escrever isso e não sei se é o momento mais oportuno, enfim...) porque até hoje não entendo o real significado dela... é parabéns. O mais comum é dizê-la a alguém que faz aniversário, mas pra mim é nada mais do que uma desculpa de espertinhos que chegam na sua festa sem presente algum. Por isso não a pronuncio de jeito nenhum. E gosto quando não me dizem também. Prefiro dizer muito obrigado ao grupo por ter nos presenteado com esse magnífico trabalho. E avisar aos desavisados que eles ficarão em cartaz somente até o dia 11 de dezembro, todas as quintas às 21h no Centro Cultural Rio Verde que fica na Vila Madalena na rua Belmiro Braga, 119. Mais abaixo em outro post tem o serviço.

Não é fácil - por Felipe Fernades

Nem mesmo bonito o texto que Ruy Filho escreveu para falar do Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade, em cartaz todas as quintas até 11 de dezembro, às 21h, no Centro Cultural Rio Verde. Aliás, é estranho, doloroso e incômodo.Cada uma das palavras agride e fere, sem piedade alguma, o corpo relaxado e confortável do espectador que, sentado numa arquibancada de madeira, sob as folhas de zinco do teto do galpão onde é encenado, sente penetrar as narinas, a traquéia, o esôfago, com textura e volume, o acre da ferrugem que sobe da chapa de ferro enferrujado sob os pés dos atores.Quando se ouve a pergunta: “Será que você não entende que não é preciso sofrer tanto?”A violência é ainda maior com proximidade física dos personagens, dos gestos e, especialmente, do tom e das cores das vozes de Guilherme Gorski e Diego Torraca, dos estalos dos golpes no rosto, do barulho dos objetos atirados ao chão, da água espirrada em meus pés, da música de Patrick Grant repleta de informações que levam ao entendimento de que a autotortura psicológica é sim um meio lícito para a recusa da prostração.A autotortura na peça da Cia. de Teatro Antro Exposto recupera a noção de que a dor provocada a si mesmo funciona, em analogia ao que diz o pensador Michel Foucault em seu livro Vigiar e Punir, como “estranha economia em que o ritual que produz a verdade caminha a par com o ritual que impõe a punição” (pág. 42).Isto porque, na sociedade conformista em que vivemos, o autosuplício psicológico - no sentido de se inquietar, tornar-se perplexo - deve ser compreendido também como um ritual político, porque faz parte, mesmo num modo menor, das formas pelas quais se manifesta o poder, e porque também permite que o “crime da conformidade” seja reproduzido e voltado contra o corpo visível do criminoso, fazendo com que ele, no mesmo horror, se manifeste e se anule.O que me leva a correlacionar o Complexo Sistema ao outro trabalho do Ruy, Entulho, com textos de Priscila Nicolielo. Nos dois trabalhos, é recorrente a idéia que o desconforto e o sofrimento, quando conscientes, propostos como uma forma de abandonar os preceitos de resignação, fazem parte de um maniqueísmo necessário para não permanecer na angústia duradoura do próprio desconforto e sofrimento quando ignorados em sua existência.A mensagem mais objetiva da peça é que enfraquecer a sensibilidade não quer dizer, entretanto, que se deve criar resistência a ela. É bem possível que não entendamos que não é preciso sofrer tanto. O texto do Complexo além de me indagar tal entendimento, diz que, todavia, por mais que desconheçamos a intensidade, é sim preciso identificar a dor. O que está em escolha é o modo de enfrentá-la. Mesmo porque conhecer é futricar em vespeiros, mexer em feridas e deixa marcas.Ruy não se considera dramaturgo. Bobagem, é claro. Além da formação estética perfeitamente reconhecível – os elásticos do início, as bexigas laranja, as taças de gelo em derretimento, as máscaras, as luzes frias e inquietas das laterais, o violoncelo, a ferrugem, a frieza da união de tudo isso – o texto tem uma força que prescinde, por outro lado, do volume de informações apresentado.Diferentemente de Entulho, desta vez, é o texto que precisa de imagens. O que me leva diretamente à minha crítica em relação a essa montagem e sobre a qual falávamos, em grupinho seleto ao redor de um pebolim, cerveja na mão, sob o céu nublado da noite de ontem: existe sim muita informação nesta peça para ser digerida ao mesmo tempo.Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade tem texto, estética da cenografia, movimentos precisos, corpos e almas. Além disso, existem ainda as sinapses que os ligam e que, por sua vez, devem estar concomitantemente conectadas à música de Grant para que, na soma de todos os fatores, tirando noves fora, o possível resultado da inequação se forme na cabeça de quem o assiste.Esse é o ponto mais delicado da peça. Lá na roça costumam dizer que “quem tudo quer, nada tem”. Muitas vezes, durante a encenação, fiquei com a sensação de que, por mais esforço que fizesse, eu jamais seria capaz de apreender todas as mensagens que ali estavam sendo passadas, enquanto em outras, constatei que eu não fui capaz de dar sequência a um pensamento que desenvolvia e que, por conta disso, acabou ficando incompleto e arquivado no meu fantástico mundo de Bob.O que, ainda durante o brainstorm na pós-apresentação, quando Mme. Nicolielo tentava arrancar de mim uma opinião mais lapidada, me levou, pseudo-intelectualóide, a recobrar as categorias de pensamento postuladas por Hegel para a reflexão entre o tudo e o nada presentes na montagem de Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade.O filósofo diz:tão correta quanto a unidade de ser e nada é porém também que são absolutamente distintos — que um não é o que o outro é. Apenas, uma vez que a diferença aqui ainda não se determinou, pois justamente ser e nada são ainda o imediato, ela é, como se encontra neles, o indizível, a mera opinião. [HEGEL, G. Enciclopédia I, § 88, p.188]Essa diferença, em Complexo, não se torna jamais precisa, porque ela não é capaz de superar o status de ilusão que nos dá o teatro, o palco. Isto é, os meus pensamentos incompletos, frutos da má digestão de um esfomeado diante de uma mesa farta, são indicativos de que o “tornar-se” não pode ser nunca a identidade do ser absoluto e do nada absoluto justamente porque é diferente tanto de um quanto de outro, que são idênticos.O que, para resumir a ópera, torna-se também, no final das contas, paradoxalmente, um dos pontos mais fortes da montagem escrita e dirigida pelo Ruy: o “tornar-se” recorrente no texto do Complexo contém em si o ser e o nada, de tal maneira que esses dois se transformam um no outro e se superam mutuamente. É nesse momento que, com rato ou não percorrendo o chão do galpão onde a peça foi apresentada, aquele que está disposto atinge um grau de superação que lhe tira do lugar-comum.É por causa disso que, mesmo incapaz de entender tudo, não se pode dizer que ali, com Gorski violentamente seduzindo a platéia no mais elevado nível da síndrome de Estocolmo, não existe apenas o nada. Existe o limite, o máximo que se pode ir e onde, por vias muito dolorosas, chega-se arfando: o “tornar-se” mostra-se inquieto, mas incapaz de se manter nessa inquietação abstrata, somatizando o sofrimento em pensamentos, em confusões, em autotortura.“Será que você não entende que não é preciso sofrer tanto?”O resultado desse processo não é apenas o nada vazio, mas a consciência de que sua posição diante da realidade em que se vive e da intensidade com que a transformamos em afirmação do sofrimento faz, como resultado de tudo, a negação da dor valer o necessário para a compreensão daquilo que alguém repete por aí: a dor é inevitável, o sofrimento é opcional.É nessa horinha, nesse intervalo entre uma piscada e uma expiração, que o “tornar-se” passa a ser chamado de “estar aí”.Espero que aproveitem. É do caralho.